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Realismo: o retrato da realidade


Em sentido amplo, realismo é uma atitude de percepção dos fatos como eles são, sem mistificações. Neste sentido, pode se encontrar realismo em qualquer obra de qualquer época. Como estilo literário, surge na França na segunda metade do século XIX com a publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, como oposição ao Romantismo. Surgia a necessidade de retratar o homem em sua totalidade, e não de forma idealizada e sonhadora, como faziam os românticos.

 

            

 

A mulher passa a ser mostrada não mais como pura e angelical, mas como um ser dotado de defeitos e qualidades. Da mesma forma, a figura do herói íntegro e destemido é substituída pela figura de uma pessoa comum, cheia de fraquezas, problemas e incertezas. 
                                    
O CONTEXTO HISTÓRICO:
Na filosofia, o Positivismo, de Augusto Comte, traz a ideia de que apenas o conhecimento oriundo da ciência é válido. Rejeita-se o misticismo na explicação dos fenômenos sociais, que deve ser feita com base na observação e no contato empírico com as leis que os regem mecanicamente. Ainda o Determinismo, de Hipólito Taine, parte da idéia de que o comportamento do homem é regido por três forças fatalistas: o meio, a genética e o momento histórico. A influência do meio sobre o homem também é acentuada pelo Drawinismo, de Charles Darwin, em que a natureza seleciona os indivíduos mais fortes, eliminando os mais fracos.
 
A política e a sociedade são marcadas pela ascensão das ideias socialistas, surgidas e face das péssimas condições de vida impostas aos trabalhadores como consequência da Revolução Industrial. A exploração do homem pelo homem só seria extinta com o fim do Capitalismo e da classe burguesa. A influência destas ideias explica a forte presença, no Realismo, da crítica anti-burguesa e do interesse pela análise das tensões sociais urbanas.
 
Destacam-se ainda a crítica à Igreja e seus dogmas e as ideias abolicionistas, trazidas desde o Romantismo com obras de Fagundes Varela e Castro Alves, mas estabelecidas a partir do próprio esclarecimento da sociedade, com o desenvolvimento da imprensa e da literatura.
 
CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS:
1)      Objetivismo (O Não-eu):
Diferente da obra romântica, centrada na visão particular e subjetiva do autor, a obra realista é centrada no objeto. O autor é como um fotógrafo, que enquadra os fatos como eles são, sem a interferência de suas emoções. O critério adotado é o da isenção e impessoalidade diante da realidade a ser retratada, o que reflete na linguagem utilizada, que é direta e clara, possuindo descrições e adjetivações objetivas.
 
2)      Senso de observação e análise:
O objeto da obra é submetido à mais criteriosa e minuciosa análise para que se alcance a veracidade na arte. A observação é detalhista e ocorre em dois planos: O externo, que valoriza a descrição das relações sociais e o contato da personagem com o meio e o interno, cuja análise recai sobre o comportamento íntimo e traços e reações psicológicas das personagens. Isso também reflete no tempo da narrativa que é lenta, acompanhando o tempo psicológico.
 
3)      A arte documental:
Enquanto os românticos se permitem à utilização de truques e exageros narrativos, os realistas são documentais, buscam a veracidade das informações. O enfoque das obras é sobre a sociedade contemporânea, o autor aborda os fatos e as circunstâncias que vivencia. Os fatos e fenômenos abordados são aqueles que podem ser explicados afastando-se a fuga metafísica.
 
4)      Universalismo:

O Romantismo é marcado pelo interesse sobre os elementos locais, por influência do próprio nacionalismo. No Realismo, a proposta é documentar aquilo que é perene e universal na condição humana.

              

 

 
AUTORES E OBRAS:
 Em Portugal, destacam-se na poesia realista Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro e outros. Eça de Queirós é considerado o Ficcionista mais importante da prosa realista portuguesa e suas principais obras foram “O Crime do Padre Amaro”,  “O Primo Basílio”, fortemente influenciado por Madame Bovary, e “Os Maias”, que retrata o tema do incesto, lançando diversas críticas à alta sociedade portuguesa, causando escândalo por sua ousadia.
 
No Brasil, o autor de maior destaque foi Machado de Assis, que revela sua genialidade em romances de profunda reflexão e forte crítica social, sendo um dos raros romancistas brasileiros de destaque internacional, tendo diversas obras traduzidas para outros idiomas. Suas principais obras são: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, marco inicial do Realismo no Brasil, “Dom Casmurro”, “Quincas Borba”, “Memorial de Aires”, dentre outras.


 



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