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Pandemias e Epidemias
Costuma-se definir epidemia como um surto repentino de casos de uma doença infecciosa em uma população, fazendo muitas vítimas. Historicamente, em razão das péssimas condições sanitárias e higiênicas, bem como da falta de conhecimento sobre os meios de transmissão de doenças, muitas epidemias atingiram a humanidade.
Outras razões que podem ocasionar o surgimento de surtos epidêmicos são as mutações gênicas nos agentes patológicos e a primeira exposição do hospedeiro a esses agentes. Havendo esse contato inicial, o sistema imunológico do hospedeiro não apresenta ainda condições de combater a ação dos agentes.
AS PANDEMIAS NA HISTÓRIA
Pode-se dizer que ocorre uma pandemia quando uma epidemia se alastra mundialmente atingindo diversas regiões do planeta. Alguns critérios são adotados pela Organização Mundial de Saúde para a caracterização de uma pandemia, como: o surgimento de uma nova doença em determinada população; a capacidade de o agente infectar seres humanos; e a disseminação rápida e fácil da doença entre os seres humanos. Vejamos abaixo alguns exemplos de pandemias que assolaram (e assolam) a humanidade:
- Peste Bubônica: Também conhecida como Peste Negra, em decorrência das manchas escuras que surgiam nos indivíduos infectados, a Peste Bubônica foi uma das maiores pandemias já vivenciadas pela humanidade, com altos níveis de mortandade. Essa doença é causada pela bactéria Yersinia Pestis, que tem como reservatórios naturais roedores como o esquilo e a marmota. Em seguida, ratos são contaminados devido ao contato com os roedores. A contaminação chega aos seres humanos através da pulga de rato, que funciona como vetor ou agente transmissor.
Tendo início na Ásia Central, século XIV, a peste espalhou-se por diversas regiões. Depois de ter causado mortes na Mongólia, norte da China, Mesopotâmia e Síria, chegou à Europa, inicialmente no sul da França. Difundiu-se em seguida por todo o continente europeu, dizimando milhões de pessoas.
- Cólera: A cólera é uma doença causada pela bactéria Vibrio Cholerae em virtude da contaminação de água e alimentos por dejetos fecais. O agente causa infecção intestinal grave, sendo capaz de causar a morte do indivíduo. Nos séculos XIX e XX, ocorreram muitas pandemias de cólera no mundo, matando milhões de pessoas.
- AIDS: A AIDS ou síndrome de imunodeficiência adquirida é uma epidemia global causada pelo vírus HIV. A contaminação pode ocorrer por transfusão de sangue, por uso de instrumentos cirúrgicos infectados e através também do ato sexual. O vírus HIV age nos linfócitos – células ligadas à defesa imunitária do organismo – fazendo com que ele fique vulnerável à ação de infecções ditas oportunistas. Os indivíduos contaminados morrem geralmente de infecção generalizada.
É importante salientar que a AIDS é uma das doenças que mais preocupam a humanidade. Ela já atingiu todos os continentes do mundo e causou um elevadíssimo número de mortes.
Dentre as principais medidas para a prevenção da AIDS, podemos citar: a esterilização de instrumentos cirúrgicos e o uso de preservativos como a camisinha e de agulhas e seringas descartáveis.
- Dengue: A dengue é uma doença causada por um arbovírus, cujo principal vetor de transmissão é o mosquito Aedes aegypti. A enfermidade ocorre na forma endêmica em algumas regiões e já foi responsável por inúmeras epidemias ao longo da história.
Ao que tudo indica, a dengue chegou ao continente americano por meio do processo de colonização. No Brasil, houve muitos casos da doença a partir de meados do século XIX e início do século XX, como as epidemias que ocorreram nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Depois de uma intensa campanha de combate ao mosquito transmissor, a dengue foi praticamente erradicada do nosso território. Entretanto, por volta da década de 1960, retornou e vem causando muitas vítimas.
Dentre as medidas para combater o Aedes aegypti, é essencial campanhas que instruam a população sobre as formas de prevenção da doença, como não acumular água parada em ambientes propícios à proliferação do mosquito. Outra alternativa – ainda mais eficaz – é a busca pelo desenvolvimento da vacina.
- Tuberculose: A tuberculose é um tipo de doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch. A contaminação ocorre pela inalação do ar. Os micro-organismos se disseminam pelo corpo do indivíduo e atacam sobretudo os pulmões. Estima-se que entre 40 e 60 milhões de brasileiros estejam infectados pela tuberculose, sendo que somente 5% a 10% dos infectados chegam a contrair a doença.
- Gripe: A gripe é uma doença infecciosa causada mais comumente pelo vírus influenza. É transmitida geralmente por meio de gotículas de saliva ou secreções nasais. Considera-se a gripe um dos maiores problemas de saúde pública, uma vez que o vírus influenza é altamente contagioso, além de sofrer, com muita constância, mutações gênicas – o que dificulta a defesa dos organismos infectados.
Crê-se que a primeira pandemia de gripe tenha ocorrido na África no início do século XVI. Em seguida, houve várias pandemias de gripe: como a Asiática, a Espanhola e mais recentemente a Suína. Todos esses tipos de gripe são resultantes de mutações do vírus influenza em subtipos.
GRIPE SUÍNA: UMA PANDEMIA ATUAL
Em meados de março de 2009, ocorreram os primeiros casos de gripe suína no México. Descobriu-se que a doença é causada pelo vírus influenza A subtipo HIN1, uma nova variante de gripe suína. Atualmente, costuma-se chamar o surto dessa doença de Pandemia de Gripe 2009. Os principais sintomas desse tipo de gripe são: febre repentina, tosse, dor de cabeça, irritação nos olhos, dores musculares, dentre outros.
A velocidade de propagação do vírus da gripe suína foi assustadora. Cerca de três meses depois, em junho, o surto se tornou global, atingindo mais de 75 países e muitos continentes. Nesse período, a epidemia de gripe foi declarada oficialmente uma pandemia.
Muitas medidas vêm sendo tomadas para controlar o surto. Embora ainda não haja vacina para a gripe que ataca humanos, diversos estudos têm sido realizados com esse propósito.
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